A minha Mente apresenta de momento:

 
 
 
 
   
 

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October 2, 2006

De momento...

É só para avisar que estou temporariamente sem imaginação



 

November 20, 2005

Entretanto..

Lamento, mas ultimamente a minha mente anda meio obscura... esfumada..

Digamos que está em período de reflexão... não que alguém se importe, mas pronto.



 

July 20, 2005

A minha filha é Helena - II

  É complicado saber até que ponto existem coincidência sou não. Naquele dia tudo correu mal. Era para ser uma pacifica sexta-feira, véspera do tão ansiado fim-de-semana e hora do descanso, mas nada disso foi o que foi.

 

  Encontrar o Luís na rua foi o primeiro dos trabalhos. Porque haveria do chefe dela estar a ir em direcção ao trabalho numa sexta? Ele nunca lá põe os pés depois de segunda! É um daqueles chefes que trabalham em espírito, o corpo, vê-lo é mentira. Mas azar dos azares, lá estava ele a entrar na porra do edifício na sexta-feira! Pronuncio dos azares que iam começar.

 

  Assim que chegou teve logo a indicação que uma reunião especial tinha sido marcada para as 6h, que por acaso veio a calhar no horário de saída da Ana, mas pronto.. Como é sexta, ignora-se e aguenta-se.

 

  Á entrada da reunião, todos iam com cara de vitimas menos o carrasco, esse chegava mesmo a sorrir. Começou por indicar os defeitos, passou suavemente por cima de algumas qualidades e aproveitamentos e foi directo ao machado: iam ser feitos despedimentos. Ou melhor, ele chamou-lhes “cortes circunstanciais devido aos tempos difíceis que se vivem”. Claro que ele tem um porshe e duas casas, uma em Sintra e outra em Lisboa. O que é que ele sabe de tempos difíceis?

 

  Explicou que todas as possibilidades tinham sido julgadas e que as pessoas dispensadas seriam as que tivessem menos de três anos de casa e que não estivessem directamente ligadas aos projectos principais da empresa. Conclusão? Aqueles a quem lhes sairia mais barato mandar passear. As secretarias gerais eram uma delas e a Ana era uma delas. Claro que ir para a cama com o chefe ter-lhe-ia poupado esta situação, mas ela não era dessas.

 

  Ao ouvir isso foi como se uma nuvem fofa e branca se colocasse entre a função som e visão do seu organismo e nada mais. Foi informada que seria dispensada apartir do fim do mês, portanto tinha três semanas para se amanhar. Foi em estado de choque que chegou a casa.

 

  Helena ainda estava na creche. Melhor assim. Ana ainda não sabe como lidar com a situação, muito melhor conseguir explica-la á filha. Sentou-se na cama e chorou um pouco. Talvez das coisas mais normais e expiatórias que o ser humano pode fazer. Preparou um banho e tentou relaxar, tentou pensar.

 

  Mas o dia ainda não tinha terminado e o pior ainda estava para chegar. Quando a educadora trouxe Helena a casa, foi uma Ana anestesiada que encontrou.

 

- Bom dia Ana.

 

- Oh, Olá Paula. Tiveste um bom dia filha?

 

- Sim!! Pintei este desenho e fizemos construções com massas pequeninas e.. mãe, temos massas pequeninas em casa?

 

- Sim filha.

 

- Ana, estás bem?

 

- Sim. Tive só um dia complicado.

 

- Olha, aproveitei e trouxe-te o correio que a tua porteira me pediu.

 

- Obrigada.

 

- Até segunda Helena. Txau Ana, bom fim-de-semana.

 

- Obrigada. Pra ti também.

 

  Olhou para as cartas que tinha na mão e começou a lê-las. “Extracto do banco, conta da luz, propaganda, propaganda, folhetos e.. um envelope azul”. Ao abrir o envelope quase que se deixou cair.

 

  Era uma carta dos filhos da senhoria que falecera. O edifício ia ser vendido a uma empresa que ia aproveitar o terreno para escritórios novos. Tem até ao fim do contrato de arrendamento para arranjar uma nova casa. O contrato acaba daqui a 4 meses, no fim do ano. Boas noticias hein?



 

June 20, 2005

A minha filha é Helena - I

 “Tem sido complicado viver cada dia com a memória daquele dia. Se não fosse a minha morena, acho que não aguentaria. Oh Helena, nunca saberás até que ponto és a minha bóia de salvação. Todos os teus sorrisos mostram-me que todos os dias teem coisas importantes e que o passado não é razão suficiente para não ansiar pelo futuro. Tu és o meu futuro minha filha.”

 

- Mããããeee!! Joga!!

 

- Siiiimmm minha senhora! – e a bola é atirada. Muito desajeitadamente claro. Nunca teve grande jeito para desportos com bolas, mas a filha adora. – “Até nisso saiu ao pai.”

 

  Helena é uma menina de 6 anos que iniciará a escola dentro de 3 meses e a mãe teme que as suas perguntas se aprofundem ainda mais nessa altura. A sua paciência é tão pouca, mas o seu amor é mais que muito. Desde aquela fatídica noite em que perdeu o amor da sua vida, Ana jurou que seria mãe e pai para a sua filha ainda protegida no seu ventre. Não tem sido fácil cumprir a sua promessa. Helena é muito curiosa e tudo o que vê é motivo para mais uma pergunta. Ana por seu lado, é uma pessoa muito calma, sempre o foi, mas desde aquela noite que se tornou um pouco mais apagada e todos os encargos de mãe solteira são mais uma pedra no seu karma. Ainda assim há futuro.

 

- Mããããeeeee! Acorda mãe! Assim não dá. Tu não acertas na bola nem uma vez.

 

  Mal ela sabe que a complementar a falta de jeito da sua mãe em desportos, estão os seus pensamentos. O maior problema sempre foi explicar com calma o porquê da ausência do pai. Helena entendeu que o pai está no céu. Mas como irá entender quando se começar a sentir posta de parte por não ter um pai nos eventos da escola? Ana teme sentir ou ver as lágrimas da sua filha. Sempre lhe disse que chorar é libertador, mas cada lágrima é uma pedra no seu coração.

 

- Oh Helena.. vamos parar por hoje. Vai dar um filme bom na televisão e eu queria ver. Fazemos assim filha, eu faço-te umas bolachinhas e tu ficas a brincar no quarto enquanto eu vejo o filme. Ou melhor, podes vir vê-lo comigo. Mais futebol hoje não Helena, por favor.

 

- Oh mãe.. está bem.

 

- “Ufff.. “

 

- Mãe?

 

- Sim helena.

 

- Qual é o filme?

 

- O filme chama-se “Cidade dos Anjos”.

 

- É um filme que eu possa ver?

 

- Beemm.. tem certas partes que sim, podes ver. Tem outras que não. Ainda és muito pequenina meu anjo.

 

- Então vou ver o Aladino no computador. Ajudas-me?

 

- Claro filha. Agora vá.. vamos.

 

  Se todos os momentos fossem assim. Tão calmo, tão conciliador. Claro que as finanças complicam os momentos calmos. O stress denota-se no emprego, mas para a estabilidade de ambas, Ana não pode perder o emprego. Um emprego que gostava tanto e que agora odeia. Primeiro foram os despedimentos dos superiores e agora, com a chegada daquele chefe cínico e estúpido, todos os restantes empregos são estáveis como uma pedaço de neve dentro de um micro-ondas. Ana já começou a sentir as vibrações. Os olhares, os murmurinhos, os sorrisos falsos.. todo aquele cinismo mete-lhe nojo. Mas precisa do emprego. Precisa do dinheiro. Precisa de garantir que a sua filha não sinta falta de nada.

 

- Mãe, qual é a historia do teu filme? Sabes a historia do meu? Eu sei! – e sorri. Os olhos brilham-lhe sempre quando se apercebe que é ela a conhecedora de um segredo ou de alguma informação.

 

- A historia do meu é sobre um anjo que se apaixona pela humanidade. É um pouco complicado de explicar, mas quando fores mais grande, vemo-lo juntas. Mas o teu.. acho que não sei não. – Ana sabe o quão feliz a filha fica por poder explicar o filme.

 

- A minha é sobre um menino pobre que fica rico quando acha uma lâmpada e um génio e depois casa com uma princesa e vence um senhor mau. Mau e feio!

 

- Ahaha.. sim, tens razão. Mau e feio! Todas as pessoas más são feias.



12:25 am - moon
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June 19, 2005

A minha filha é Helena - Inicio

- Mãe, porque é que as abelhas não cantam?

 

- Helena, não digas asneiras. Claro que as abelhas cantam.

 

- Mas mãe, a Ana disse que a mãe dela diz que as abelhas não cantam.

 

- Helena, a mãe da Ana não tem culpa de não saber a verdade. A mãe da Ana esqueceu-se de como ouvir o canto das abelhas. Mas tu e eu não.

 

- Certo mãe. Podemos então ir ouvir o canto das abelhas?

 

- Hoje não Helena. Hoje ficamos aqui a falar.

 

- Oh…

 

- Helena..

 

- Está bem mãe.

 

  Desde tenra idade que todas as realidades teem sido apresentadas á sua filha. Todos os segredos são puros e as verdades mais escondidas são palavras soltas para o seu crescimento. Esta é a historia de uma mãe solteira e da sua filha, Helena.



Nova História - A minha filha é Helena

Sim, eu sei que a ultima nao cheguei a acabar. Mas inspiração é algo que nao podemos forçar.




 

March 25, 2005

Um acordar

  Apesar de tudo, existiam coisas na sua vida que pareciam compensar as lágrimas passadas. Tinha ao seu redor fantasmas de pessoas que a estimavam e esse sentimento muitas vezes era a única ancora que conhecia. Mas nem sempre era assim. E era as mágoas que ela mais sentia e memorizava entre todo o amor.

 

  No silencio do seu apartamento, ela sentia os ponteiros do relógio a avançarem e sentia-se a recuar. Voltava até aquele triste dia em que tinha-se sentido um zero. Sentira-se assim porque se tinha iludido. Só porque alguns a tratavam como uma pessoa, isso não queria dizer que outros não a tratassem como nulo. “Não existe pior cego do que aquele que não quer ver” e ela fora assim. Hoje era precavida porque antes fora magoada.

 

  Naquela tarde tinha perdido o seu sorriso particular. Aquele sorriso que todos temos quando estamos entre amigos e nos sentimos seguros para dizer uma parvoíce e rir livremente. Desde aquele dia, tinha deixado de sorrir, mostrava os dentes e franzia o rosto. Mais nada. É difícil confiar quando se vive numa névoa de desconfiança. Naquele momento em que ouviu o que desejou não ter ouvido, o céu caiu-lhe aos pés. Os sorriso e palavras que lhe dirigiam eram afinal falsos. Pelas suas costas, gozavam e abusavam da sua inocente amizade. Ela percebera isso e naquela mesma tarde perdera a sua inocência.

 

  E depois? Quem é que nunca perdeu a confiança em alguém? Muitos. Mas nunca muitos foram ela.  Só ela sabe o quanto custa confiar e sentir-se fracassar. A falha não era deles. Eles tinham o direito de dizer o que quer que seja. Ser falsos. Mentira. Enganar. Iludir.. Ela é que se deixou acreditar. Mas nem todos são assim. Ela é que infelizmente deixou de confiar. Sentia as piadas, os olhares, os sorrisos e não sorria. Isso mata por dentro. Por dentro fechou-se. E foi devido a esse pequeno sonho perdido que ela deixou o emprego seguro e calmo naquele escritório.

 

  Hoje trabalha de noite. Dança para que homens se babem. Desprende-se da realidade de uma falsa verdade e prefere assim. Este mundo ela já entende, porque no meio da mentira existe alguma verdade. Nisso ela pode confiar e na realidade nem tudo é mau. As pessoas são reais e as meninas são simpáticas. Não tem que dar o corpo nem a alma, só tem que dançar e até o ar-condicionado de lá funciona. Hoje é uma stripper e não tem que sorrir.



 

March 20, 2005

O Inicio

  Parecia tudo um sonho. Apenas 2 anos se tinham passado mas ao recordar-se, entendia que o que a sua vida tinha sido, nada era mais. As regras do jogo tinham-se alterado. Ela tinha mudado. Tinha que manter a sua liberdade a todo o custo. A sua sanidade. A sua sobrevivência. A sua vida. A sua existência era agora o inverso de si mesma e sabia agora que tinha que lutar todos os segundos para ao se perder a si mesma..

Bem vindos a
“Ondas de um Strip”



 

March 15, 2005

A Consequencia e a Memória

  O pai daquela criança tinha sido Ele. Foi com ele que conheceu a felicidade e a verdadeira solidão. De certa forma. Ela é hoje o fruto do produto dele. Talvez um obrigado fosse necessário ou talvez não. Foi a observa-lo que aprendeu como os homens são. Como são feito. E porque são.

 

  Sempre teve duvidas. Medos. Mas não tinha outra saída que pudesse tomar. Ela era ela. Ele era ele. Tudo tinha que acontecer um dia. De uma forma ou de outra. Era assim mesmo.

 

  Ao observa-lo conseguia entender o que gostava nele. Os seus olhos vibrantes como o mar seguro que acorda num novo dia. O seu corpo forte que tantas vezes a acalmara e segurara. E outras tantas que a assustara e violentara. Nessas alturas ela não era senhora de si. Não se sentia segura e livre como agora. Nesses momentos ela era lixo. Lixo por parte dele. Lixo por parte de si.

 

  Ainda perdida nas recordações, ela apercebia-se, de uma forma lúcida, de como os homens eram. Não lhes guardava rancor. Não tinham sido os homens mas sim Ele.

 

  Através dele descobrira o que significava ser mulher num universo de homens. Homens seguros. Homens criança. Homens prontos a atacar como uma bomba volátil. Sim. É disso que um homem é feito. Componentes tais como os de uma bomba. Tic. Tac. Tic. Tac. Bum! E ela sabia como era fácil o “bum”. Sabia o que era e como sobrevive-lo.

 

  Mas ser uma vitima não era próprio dela. Através das ondas da praia, tinha entendido que também ela era parte de uma grande maquina. Uma maquina chamada Mulher. Sim. Uma maquina com o intransmissível poder de criar vida e não de simplesmente acabar com ela.

 

  Ontem tinha tido esse poder. Tinha. Era fruto de uma violência. Sim. Mas um fruto inocente. Uma réstia de esperança para ela mesma. Esperança de regressar ao mundo real novamente. Quebrar a sua concha.. Mas não. A sua esperança transformou-se em Saudade e nada mais.

 

  Hoje os dias são sentidos de outra forma. Já o sorriso do sol não lhe ilumina o espirito partido. Já a companhia do silencio não lhe basta só por si. Hoje apercebe-se que está sozinha e não gosta. Porquê?

 

  Na altura nunca deu grande importância. Fez as compras para o enxoval. Sorria quando lhe perguntavam se era menino ou menina. Tudo o que lhe parecia normal da situação. Mas nunca falara com o seu pequeno fruto. Sabia que era normal faze-lo mas nunca se sentira tentada. Não precisava em parte. Ela é uma daquelas pessoas com quem se consegue manter diálogos completos, imersos no puro silencio, frutos de um só olhar.

 

  E para mais, porque haveria? Sabia tudo o que queria. Presunção ou desleixo, era assim que era. Era assim que sobrevivia. Fora assim que decidira ficar viva naquele dia. Cinco anos atrás e ainda doía. Mas não valia a pena lembrar. Não valia a pena esquecer. Por agora preferia ignorar. E fazia-o muito bem.

 

  Porém, nunca chegara a falar com o seu fruto. A sua filha. Estranho pensamento. Mas sempre o soubera. Mesmo sem qualquer teste para confirmar. Sempre soubera quem ela era. Quem ela seria. Morena como ela, com os olhos azuis dele. Alta e bonita. Aquele tipo de beleza que consegue vibrar no mundo comum e irreal.

 

  Mas já não importava. Ela continuaria a ser o seu fruto. Um fruto perdido e lamentado. Chorara aquelas duas horas para se aperceber disso. Não fora fria. Fora real. Fora humana. Perdera a sua menina. E agora a Saudade seria para sempre sua. Real ou não, neste mundo tão irreal.



 

March 10, 2005

A Decisão

  Podia partir rumo a qualquer outro países que não faria diferença: aquele era o seu local de nascimento e sem duvida que seria o seu túmulo final. Ao longo de todo o dia tinha pensado nisso. Estranha premonição de cores pouco reais. Conseguia observar o mundo, mas nunca conseguira verdadeiramente viver nele. Sempre assim fora, até ao dia de hoje.

 

  Hoje tinha começado o dia como sempre. Levantou-se com tempo de sobra para as suas pequenas rotinas diárias como beijar o dia com um “olá” e tomar o seu duche e pequeno almoço. Sempre lhe disseram que o pequeno almoço era a refeição mais importante do dia e ela nunca tinha prestado grande atenção a isso até que começou a viver sozinha. Há coisas que chegam tarde mas ainda são válidas mesmo assim.

 

  Depois da rotina, começa o dia. Um dia de trabalho e corridas para vencer a rotina que se instala. Pica o ponto. Trabalha. Pica o ponto. Almoça. Pica o ponto. Trabalha. Pica o ponto. E paz. A única coisa boa do dia é que o dia de trabalho em si, termina ás 5 da tarde. O resto do dia é dela.

 

  Uma ida ao parque. Um passeio na praia. Os sons e cheiros da Primavera já vagueiam pelo ar. Apesar de ainda se sentir a gélida brisa do Inverno a dizer adeus, os dias são já uma suave premonição do tempo ameno que ai se avizinha.

 

  Aproveita e dá um saltinho na sua pastelaria preferida. Um lanche e uma caminhada até casa. O horizonte ideal para alguém que se tenta manter além e distante de tudo o que a rodeia. É mesmo assim que tem que ser. A paz e liberdade total tem um preço que muitos não aceitam pagar. Ela aceitou sem medo. Faz muitas coisas assim, sem medo.

 

  Apesar disso, e devido ás visitas já habituais, a senhora da pastelaria já a conhece e tem sempre um sorriso para lhe oferecer. Nunca trocaram uma só palavra para além do tradicional pedido e resposta automática. Mas ainda assim, parece que sempre conversaram imenso. Parece para alguém que olhe de fora. Fora do alcance do real de ambas. Mas para ela basta-lhe e a senhora sente isso e não pede mais. Um obrigado e um até amanhã.

 

  Caminhar á beira mar para casa. Certas pessoas nunca conseguem sentir a total felicidade que ela se habituou a chamar rotina. Uma rotina simples. Desprovida de anseios ou preocupações. Uma contradição que provoca o resultado ansiado pela explosão de vida que todos os dias ela se esforça para manter aparte. Ela existe para si mesma. Existe consigo mesma. Existe. Não tenta subsistir. Essa é a escolha e a sua virtude pessoal.

 

  Ao horizonte, como sempre, tem o pontão e o pôr-do-sol de uma tarde dourada. Senta-se na areia e sente o calor que o sol repousou sobre os finos grãos de areia branca que cobre a praia. Deita-se e respira. Tão bom. O silencio de uma mente limpa de pensamentos desnecessários. O essencial é o vital. Nada mais.

 

  Abre os olhos e observa o ponto do som que parece zumbir ao longe. Uma mão. Uma cabeça. Uma pessoa que grita por socorro. Abre os olhos e num milésimo de segundo tem o pensamento de ir pedir ajuda. Mas depois entende que quando voltar, a ajuda já não será necessária. Resolve. Decide-se. Conhece aquelas águas. Entra no mar e a grande custo consegue os eu intuito: salvar uma vida em troca de outra.

 

O esforço é demasiado e depois da certeza de terra firme, o sono. O branco. A paz. A tristeza.

 

  Acorda na cama de um hospital. Os cheiros ditam o local e a premonição marca a certeza que teve no inicio do dia. Médicos e enfermeiras dão-lhe os parabéns. Salvou a menina. Ela está bem. Mas.. Ela já sabia. Ela entendeu. Ela já o sentira.

 

  Dias mais tarde ajoelha-se na terra. Frente a uma pequena campa aonde jaz um pequeno corpo desprovido de espirito e do seu direito a tentar, também ele, alcançar a sua pequena felicidade. Na pedra lê-se somente em letras grandes e negras: Saudade. Ela baptizou-a mesmo com esse nome. Saudade. Uma palavra tão sua. Um sentimento que vai ser tão seu apartir de agora.

 

  E a sua vida continua. A mesma rotina. Um sentimento diferente. Agora. Um pouco mais triste. Com muita mais saudade. E com menos dela.



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