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July 20, 2005

A minha filha é Helena - II

  É complicado saber até que ponto existem coincidência sou não. Naquele dia tudo correu mal. Era para ser uma pacifica sexta-feira, véspera do tão ansiado fim-de-semana e hora do descanso, mas nada disso foi o que foi.

 

  Encontrar o Luís na rua foi o primeiro dos trabalhos. Porque haveria do chefe dela estar a ir em direcção ao trabalho numa sexta? Ele nunca lá põe os pés depois de segunda! É um daqueles chefes que trabalham em espírito, o corpo, vê-lo é mentira. Mas azar dos azares, lá estava ele a entrar na porra do edifício na sexta-feira! Pronuncio dos azares que iam começar.

 

  Assim que chegou teve logo a indicação que uma reunião especial tinha sido marcada para as 6h, que por acaso veio a calhar no horário de saída da Ana, mas pronto.. Como é sexta, ignora-se e aguenta-se.

 

  Á entrada da reunião, todos iam com cara de vitimas menos o carrasco, esse chegava mesmo a sorrir. Começou por indicar os defeitos, passou suavemente por cima de algumas qualidades e aproveitamentos e foi directo ao machado: iam ser feitos despedimentos. Ou melhor, ele chamou-lhes “cortes circunstanciais devido aos tempos difíceis que se vivem”. Claro que ele tem um porshe e duas casas, uma em Sintra e outra em Lisboa. O que é que ele sabe de tempos difíceis?

 

  Explicou que todas as possibilidades tinham sido julgadas e que as pessoas dispensadas seriam as que tivessem menos de três anos de casa e que não estivessem directamente ligadas aos projectos principais da empresa. Conclusão? Aqueles a quem lhes sairia mais barato mandar passear. As secretarias gerais eram uma delas e a Ana era uma delas. Claro que ir para a cama com o chefe ter-lhe-ia poupado esta situação, mas ela não era dessas.

 

  Ao ouvir isso foi como se uma nuvem fofa e branca se colocasse entre a função som e visão do seu organismo e nada mais. Foi informada que seria dispensada apartir do fim do mês, portanto tinha três semanas para se amanhar. Foi em estado de choque que chegou a casa.

 

  Helena ainda estava na creche. Melhor assim. Ana ainda não sabe como lidar com a situação, muito melhor conseguir explica-la á filha. Sentou-se na cama e chorou um pouco. Talvez das coisas mais normais e expiatórias que o ser humano pode fazer. Preparou um banho e tentou relaxar, tentou pensar.

 

  Mas o dia ainda não tinha terminado e o pior ainda estava para chegar. Quando a educadora trouxe Helena a casa, foi uma Ana anestesiada que encontrou.

 

- Bom dia Ana.

 

- Oh, Olá Paula. Tiveste um bom dia filha?

 

- Sim!! Pintei este desenho e fizemos construções com massas pequeninas e.. mãe, temos massas pequeninas em casa?

 

- Sim filha.

 

- Ana, estás bem?

 

- Sim. Tive só um dia complicado.

 

- Olha, aproveitei e trouxe-te o correio que a tua porteira me pediu.

 

- Obrigada.

 

- Até segunda Helena. Txau Ana, bom fim-de-semana.

 

- Obrigada. Pra ti também.

 

  Olhou para as cartas que tinha na mão e começou a lê-las. “Extracto do banco, conta da luz, propaganda, propaganda, folhetos e.. um envelope azul”. Ao abrir o envelope quase que se deixou cair.

 

  Era uma carta dos filhos da senhoria que falecera. O edifício ia ser vendido a uma empresa que ia aproveitar o terreno para escritórios novos. Tem até ao fim do contrato de arrendamento para arranjar uma nova casa. O contrato acaba daqui a 4 meses, no fim do ano. Boas noticias hein?



12:14 pm - moon

  

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